29/08/2026
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FDA aprova daraxonrasib para adultos previamente tratados ou inelegíveis para terapia multiagente

Terapia da Revolution Medicines prolongou a sobrevida em ensaio de fase 3, mas não há registro ou pedido confirmado na Anvisa.

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Imagem ilustrativa da reportagem: FDA aprova daraxonrasib para adultos previamente tratados ou inelegíveis para terapia multiagente

A FDA aprovou em 26 de agosto de 2026 o daraxonrasib (Rasonque), da Revolution Medicines, para adultos com adenocarcinoma metastático de pâncreas que receberam ao menos uma terapia sistêmica prévia ou não são candidatos à terapia sistêmica multiagente.

Qual é o alcance da aprovação nos Estados Unidos

A indicação americana se restringe ao adenocarcinoma de pâncreas metastático nessa situação de tratamento e não estabelece benefício em primeira linha, cura ou adequação para todos os pacientes com a doença. A decisão da FDA também não equivale a registro sanitário no Brasil, que depende de avaliação própria da Anvisa, nem a uma incorporação automática no SUS, submetida às regras da Conitec.

O medicamento foi avaliado no RASolute 302, ensaio clínico de fase 3, internacional, multicêntrico, randomizado — com distribuição dos participantes entre os grupos — e aberto, ou seja, sem mascaramento do tratamento. O estudo comparou o daraxonrasib com quimioterapia escolhida pelo investigador em pessoas com adenocarcinoma ductal pancreático metastático previamente tratado.

O que o ensaio encontrou sobre eficácia

Foram randomizados 500 participantes: 248 para daraxonrasib e 252 para quimioterapia; 91,8% tinham mutação RAS G12. Os desfechos primários eram a sobrevida global e a sobrevida livre de progressão na subpopulação com mutações RAS G12.

Na população total, a sobrevida global mediana foi de 13,2 meses no grupo daraxonrasib e de 6,7 meses no grupo de quimioterapia; a razão de riscos, ou HR, foi de 0,40, com intervalo de confiança de 95% entre 0,30 e 0,53 e p<0,0001. A sobrevida livre de progressão mediana foi de 7,2 meses contra 3,6 meses, com HR de 0,49 e intervalo de confiança de 95% de 0,38 a 0,64; a taxa de resposta objetiva foi de 30%, ante 11% com quimioterapia.

Os números são comparações entre os dois grupos do ensaio e não permitem concluir, por si só, qual será o resultado em pacientes fora dos critérios de inclusão ou em pessoas tratadas na primeira linha. Também não foram confirmados, nos materiais consultados, o seguimento mediano, a data exata de corte dos dados ou a maturidade final dos resultados de sobrevivência.

Quais são os limites e os efeitos adversos relatados

O estudo selecionou participantes com estado funcional ECOG 0 ou 1, doença mensurável, função orgânica adequada e capacidade de tomar medicamento oral. Foram excluídas, entre outras situações, metástases conhecidas no sistema nervoso central, tratamento prévio dirigido a RAS e condições que pudessem comprometer a absorção ou a deglutição. Esses critérios limitam a generalização direta dos resultados para pacientes mais frágeis, com ECOG acima de 1, disfunção orgânica importante, metástases cerebrais conhecidas ou dificuldade para absorver medicação oral.

Eventos adversos de grau 3 ou maior ocorreram em 61,8% das pessoas que receberam daraxonrasib e em 69,6% das que receberam quimioterapia; a descontinuação por eventos relacionados ao tratamento foi de 1,2% e 11,2%, respectivamente. A FDA listou rash, diarreia, estomatite, náusea, fadiga, vômitos, dor abdominal, edema, redução do apetite e hemorragia entre os efeitos comuns, além de advertências para toxicidade cutânea e oral, diarreia, perfuração gastrointestinal, pneumonite ou doença pulmonar intersticial e toxicidade embriofetal.

A Revolution Medicines patrocinou e financiou o estudo, aparece como parte responsável pelo registro no ClinicalTrials.gov e tinha cinco coautores afiliados à empresa no artigo científico. A indicação da FDA inclui ainda pessoas inelegíveis para terapia sistêmica multiagente, mas a base quantitativa específica para essa parcela não foi confirmada nos materiais consultados.

O que falta para discutir acesso no Brasil

O INCA estima 13.240 casos novos anuais de câncer de pâncreas no Brasil no triênio 2026–2028 e registrou 13.507 mortes pela doença em 2023. Nos materiais consultados para esta reportagem, não foram confirmados registro ou pedido de registro do daraxonrasib na Anvisa. Também não foram localizados pedido de incorporação, relatório da Conitec, consulta pública, preço CMED ou análise de impacto orçamentário do medicamento. Nos materiais apurados, não foram localizados preço CMED, pedido de incorporação, relatório da Conitec, consulta pública ou análise de impacto orçamentário.

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Esta reportagem foi produzida com apoio de inteligência artificial na apuração e na redação. Douglas Machado responde pela linha editorial humana; isso não equivale a revisão clínica individual. As regras públicas proíbem citar qualquer fonte não aberta durante a apuração. Leia o método completo.

Fontes desta reportagem

9 no total · 9 primárias
  1. 01
    Fonte primáriafda.gov
    FDA approves daraxonrasib for metastatic pancreatic adenocarcinoma

    U.S. Food and Drug Administration

  2. 02
    Fonte primárianejm.org
    RASolute 302 trial publication

    The New England Journal of Medicine

  3. 03
    Fonte primáriaclinicaltrials.gov
    RASolute 302 trial registry record

    ClinicalTrials.gov

  4. 04
    Fonte primáriaclinicaltrials.gov
    RASolute 302 results record

    ClinicalTrials.gov

  5. 05
    Documento oficialfda.gov
    FDA press announcement on daraxonrasib approval

    U.S. Food and Drug Administration

  6. 06
    Documento oficialgov.br
    Estimativa 2026–2028: síntese de resultados e comentários

    Instituto Nacional de Câncer

  7. 07
    Documento oficialgov.br
    Registro de medicamentos novos

    Agência Nacional de Vigilância Sanitária

  8. 08
    Documento oficialgov.br
    Legislação da Conitec

    Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS

  9. 09
    Documento oficialgov.br
    Submissão de propostas para avaliação de tecnologias em saúde

    Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS

Conteúdo informativo — não substitui consulta, diagnóstico ou tratamento médico. Encontrou um erro? Fale com a redação.

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