31/08/2026
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FDA aprova tripla terapia de primeira linha para adenocarcinoma gastroesofágico HER2+ avançado ou metastático

Em ensaio de fase 3, o esquema teve maior sobrevida mediana; o rótulo dos EUA trata a indicação como suplemento, não como aprovação acelerada.

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Imagem ilustrativa da reportagem: FDA aprova tripla terapia de primeira linha para adenocarcinoma gastroesofágico HER2+ avançado ou metastático

A FDA aprovou em 25 de agosto de 2026 zanidatamab-hrii, tislelizumab-jsgr e quimioterapia com fluoropirimidina e platina como primeira linha para adultos com adenocarcinoma gástrico, da junção gastroesofágica ou de esôfago HER2-positivo, irressecável localmente avançado ou metastático. A documentação regulatória classifica a decisão como um suplemento de aprovação e não como aprovação acelerada; na bula, a expressão “approved under accelerated approval” permanece vinculada à indicação anterior de zanidatamab para câncer de vias biliares.

O que a FDA aprovou e como HER2 é identificado

A indicação é para pessoas que ainda não receberam tratamento no cenário de doença avançada, isto é, a primeira linha terapêutica nessa fase do câncer. Além do regime com três medicamentos, a FDA aprovou zanidatamab com quimioterapia, sem tislelizumab, para tumores classificados como HER2 IHQ 3+.

A seleção depende da caracterização de HER2 no tumor. A documentação usa a imuno-histoquímica, abreviada como IHQ, e registra também a categoria HER2 IHQ 2+/ISH+. Os dados para esse último subgrupo foram exploratórios, enquanto a indicação de zanidatamab com quimioterapia sem tislelizumab ficou restrita aos tumores IHQ 3+.

Sobrevida e resposta no HERIZON-GEA-01

A evidência que sustentou a decisão veio do HERIZON-GEA-01, um ensaio global, multicêntrico, de fase 3, aberto e randomizado na proporção 1:1:1, com 914 participantes e três braços de tratamento. A comparação central para a nova indicação contrapôs o regime triplo a trastuzumabe com quimioterapia, que foi o comparador ativo. Os desfechos principais foram a sobrevida livre de progressão, avaliada por revisão central independente e cega segundo o critério RECIST 1.1, e a sobrevida global.

A sobrevida global mediana foi de 26,4 meses no grupo da terapia tripla e de 19,2 meses no grupo trastuzumabe mais quimioterapia, com razão de riscos de 0,72 (intervalo de confiança de 95% entre 0,57 e 0,90; p=0,0043). A sobrevida livre de progressão mediana foi de 12,4 meses, ante 8,1 meses, com razão de riscos de 0,63 (IC 95% 0,51–0,78; p<0,0001).

A taxa de resposta objetiva foi de 67% com a combinação tripla e de 63% com trastuzumabe e quimioterapia. Já a duração mediana de resposta foi de 18,9 meses no braço triplo e de 8,3 meses no comparador. Esses são resultados de grupos de participantes do ensaio, não uma garantia de benefício individual.

O registro do estudo identifica a Jazz Pharmaceuticals como patrocinadora e a BeOne Medicines e a BeOne Pharmaceutical como colaboradoras. O papel operacional detalhado dessas empresas e quem executou a análise estatística não foram confirmados nos materiais consultados.

Segurança e limites dos dados

A diarreia foi o principal sinal de segurança no braço triplo: foi relatada em 83% dos participantes, e 26% tiveram eventos de grau 3 ou 4, A bula também traz alertas para diarreia grave, disfunção ventricular esquerda, reações infusionais e toxicidade embriofetal.

O estudo foi aberto, o que significa que participantes e equipes sabiam qual tratamento era administrado; segundo a FDA, isso pode influenciar condutas e a avaliação de segurança, embora a sobrevida livre de progressão tenha passado por revisão independente e cega. No subgrupo HER2 IHQ 2+/ISH+, as análises foram exploratórias e os intervalos de confiança incluíram a possibilidade de não haver diferença entre os grupos. Além disso, a sobrevida global no braço zanidatamab mais quimioterapia ainda estava imatura e não houve comparação formal direta desse braço com a terapia tripla; por isso, os dados não isolam nem quantificam o benefício incremental causal do tislelizumab.

O que se sabe no Brasil

O HERIZON-GEA-01 teve centros no Brasil, mas o registro não informa quantos participantes brasileiros foram randomizados nem apresenta resultados específicos do país. Para 2026, o INCA estima 22.530 casos novos de câncer de estômago e 11.390 de câncer de esôfago por ano no país.

No SUS, o tratamento já incorporado para adultos sem terapia prévia no cenário avançado é o trastuzumabe para câncer gástrico ou da junção esofagogástrica HER2-positivo, avançado ou metastático, em primeira linha. Não foi confirmado, nos materiais consultados, registro sanitário brasileiro, avaliação pela Conitec, preço ou disponibilização no SUS de zanidatamab para esta indicação.

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Esta reportagem foi produzida com apoio de inteligência artificial na apuração e na redação. Douglas Machado responde pela linha editorial humana; isso não equivale a revisão clínica individual. As regras públicas proíbem citar qualquer fonte não aberta durante a apuração. Leia o método completo.

Fontes desta reportagem

6 no total · 6 primárias
  1. 01
  2. 02
    Fonte primáriaaccessdata.fda.gov
    Ziihera (zanidatamab-hrii) prescribing information

    U.S. Food and Drug Administration

  3. 03
    Documento oficialaccessdata.fda.gov
    Approval letter for Ziihera supplement 761416Orig1s002

    U.S. Food and Drug Administration

  4. 04
    Fonte primáriaclinicaltrials.gov
    HERIZON-GEA-01 (NCT05152147) trial registry

    ClinicalTrials.gov

  5. 05
    Documento oficialgov.br
    Estimativa 2026: incidência de câncer no Brasil

    Instituto Nacional de Câncer

  6. 06
    Documento oficialgov.br
    Portaria SECTICS/MS nº 33, de 12 de maio de 2025

    Conitec / Ministério da Saúde

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