A FDA aprovou em 25 de agosto de 2026 zanidatamab-hrii, tislelizumab-jsgr e quimioterapia com fluoropirimidina e platina como primeira linha para adultos com adenocarcinoma gástrico, da junção gastroesofágica ou de esôfago HER2-positivo, irressecável localmente avançado ou metastático. A documentação regulatória classifica a decisão como um suplemento de aprovação e não como aprovação acelerada; na bula, a expressão “approved under accelerated approval” permanece vinculada à indicação anterior de zanidatamab para câncer de vias biliares.
O que a FDA aprovou e como HER2 é identificado
A indicação é para pessoas que ainda não receberam tratamento no cenário de doença avançada, isto é, a primeira linha terapêutica nessa fase do câncer. Além do regime com três medicamentos, a FDA aprovou zanidatamab com quimioterapia, sem tislelizumab, para tumores classificados como HER2 IHQ 3+.
A seleção depende da caracterização de HER2 no tumor. A documentação usa a imuno-histoquímica, abreviada como IHQ, e registra também a categoria HER2 IHQ 2+/ISH+. Os dados para esse último subgrupo foram exploratórios, enquanto a indicação de zanidatamab com quimioterapia sem tislelizumab ficou restrita aos tumores IHQ 3+.
Sobrevida e resposta no HERIZON-GEA-01
A evidência que sustentou a decisão veio do HERIZON-GEA-01, um ensaio global, multicêntrico, de fase 3, aberto e randomizado na proporção 1:1:1, com 914 participantes e três braços de tratamento. A comparação central para a nova indicação contrapôs o regime triplo a trastuzumabe com quimioterapia, que foi o comparador ativo. Os desfechos principais foram a sobrevida livre de progressão, avaliada por revisão central independente e cega segundo o critério RECIST 1.1, e a sobrevida global.
A sobrevida global mediana foi de 26,4 meses no grupo da terapia tripla e de 19,2 meses no grupo trastuzumabe mais quimioterapia, com razão de riscos de 0,72 (intervalo de confiança de 95% entre 0,57 e 0,90; p=0,0043). A sobrevida livre de progressão mediana foi de 12,4 meses, ante 8,1 meses, com razão de riscos de 0,63 (IC 95% 0,51–0,78; p<0,0001).
A taxa de resposta objetiva foi de 67% com a combinação tripla e de 63% com trastuzumabe e quimioterapia. Já a duração mediana de resposta foi de 18,9 meses no braço triplo e de 8,3 meses no comparador. Esses são resultados de grupos de participantes do ensaio, não uma garantia de benefício individual.
O registro do estudo identifica a Jazz Pharmaceuticals como patrocinadora e a BeOne Medicines e a BeOne Pharmaceutical como colaboradoras. O papel operacional detalhado dessas empresas e quem executou a análise estatística não foram confirmados nos materiais consultados.
Segurança e limites dos dados
A diarreia foi o principal sinal de segurança no braço triplo: foi relatada em 83% dos participantes, e 26% tiveram eventos de grau 3 ou 4, A bula também traz alertas para diarreia grave, disfunção ventricular esquerda, reações infusionais e toxicidade embriofetal.
O estudo foi aberto, o que significa que participantes e equipes sabiam qual tratamento era administrado; segundo a FDA, isso pode influenciar condutas e a avaliação de segurança, embora a sobrevida livre de progressão tenha passado por revisão independente e cega. No subgrupo HER2 IHQ 2+/ISH+, as análises foram exploratórias e os intervalos de confiança incluíram a possibilidade de não haver diferença entre os grupos. Além disso, a sobrevida global no braço zanidatamab mais quimioterapia ainda estava imatura e não houve comparação formal direta desse braço com a terapia tripla; por isso, os dados não isolam nem quantificam o benefício incremental causal do tislelizumab.
O que se sabe no Brasil
O HERIZON-GEA-01 teve centros no Brasil, mas o registro não informa quantos participantes brasileiros foram randomizados nem apresenta resultados específicos do país. Para 2026, o INCA estima 22.530 casos novos de câncer de estômago e 11.390 de câncer de esôfago por ano no país.
No SUS, o tratamento já incorporado para adultos sem terapia prévia no cenário avançado é o trastuzumabe para câncer gástrico ou da junção esofagogástrica HER2-positivo, avançado ou metastático, em primeira linha. Não foi confirmado, nos materiais consultados, registro sanitário brasileiro, avaliação pela Conitec, preço ou disponibilização no SUS de zanidatamab para esta indicação.
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