Uma dose intravenosa do anticorpo Dengue-mAb reduziu mais rapidamente o vírus infeccioso em adultos com dengue inicial na Índia e, em alguns grupos, encurtou o tempo até o fim da febre, segundo ensaio de fase 2 publicado em 25 de agosto de 2026. O estudo ainda não demonstrou que o produto evite dengue grave, internações, UTI ou mortes.
Como foi testado o anticorpo
O ensaio randomizado — isto é, com distribuição por sorteio entre os grupos — recrutou 250 adultos de 18 a 60 anos em 12 hospitais terciários da Índia, entre setembro de 2021 e maio de 2023. Todos tinham febre havia até 48 horas e teste positivo para o antígeno NS1; pessoas com dengue já grave, plaquetas abaixo de 50 mil/mm³, gestação ou lactação, entre outras condições, ficaram de fora. O protocolo e os critérios estão descritos no artigo.
Os participantes receberam placebo ou uma única infusão intravenosa de Dengue-mAb, também chamado VIS513, em uma de quatro doses estudadas; um dos 250 desistiu antes da aplicação, deixando 249 pessoas na análise de segurança. O anticorpo é um produto biológico humanizado desenhado para reconhecer uma região conservada da proteína de envelope do vírus da dengue. O estudo avaliou tanto marcadores virais quanto eventos adversos.
Os pacientes permaneceram internados por quatro dias devido ao protocolo e foram acompanhados até o 181º dia. A equipe clínica dos centros sabia qual grupo cada pessoa recebeu, enquanto os laboratórios que processaram as amostras foram mascarados. Os próprios autores classificaram o desenho simples-cego como uma limitação do ensaio.
O sinal antiviral apareceu em um grupo muito pequeno
A redução da viremia infecciosa em 24 horas foi maior com o anticorpo do que com placebo. As diferenças ajustadas variaram de 0,77 a 1,21 log, conforme a dose, uma medida em escala logarítmica que indica queda mais acentuada da quantidade de vírus capaz de infectar células em laboratório.
Esse resultado, porém, veio de uma fração limitada da amostra: apenas 32 dos 249 participantes, ou 12,9%, tinham vírus infeccioso detectável no exame NSET antes da infusão. Entre eles, todos os pacientes dos grupos de três doses mais altas estavam negativos oito horas depois, enquanto a negativação completa no placebo ocorreu em 72 horas. Os grupos que sustentam essa comparação tinham respectivamente quatro, oito e cinco pessoas tratadas, contra oito no placebo.
O RNA viral, detectável em 126 participantes no início, também caiu mais em 24 horas com três das doses avaliadas. Não houve diferença estatisticamente significativa entre os grupos nas demais medições, de oito horas a sete dias, nem no tempo até a negativação do RNA. Portanto, o trabalho sugere atividade antiviral precoce, mas não comprova supressão sustentada do vírus.
Houve ainda um sinal de resolução mais rápida da febre nas doses intermediárias. Entre os participantes febris no começo da infusão, a mediana foi de 26,8 horas no placebo, 3,5 horas em um grupo tratado e 2 horas em outro. Em 24 horas, 58,3% do grupo placebo estavam sem febre, ante 100% em cada um desses dois grupos — diferença absoluta de cerca de 41,7 pontos percentuais, calculada, contudo, sobre apenas 12 e 14 pessoas.



