O rastreamento do câncer colorretal no SUS ganhou uma diretriz nacional definitiva publicada pelo Ministério da Saúde em 28 de outubro de 2026. O documento estabelece o teste imunoquímico fecal, conhecido pela sigla FIT, como primeiro exame para homens e mulheres de 50 a 75 anos, sem sintomas e com risco padrão para a doença.
A página oficial da nova diretriz confirma o caráter nacional das regras. Isso não significa, porém, que o teste já possa ser retirado em qualquer unidade básica de saúde. O Ministério informou que a implantação será gradual, com início em novembro nas capitais e em municípios com mais de 500 mil habitantes.
Rastreamento do câncer colorretal no SUS: quem entra
O programa é destinado a pessoas assintomáticas, entre 50 e 75 anos e com risco padrão. Risco padrão significa não ter diagnóstico anterior de câncer colorretal, pólipos adenomatosos ou doença inflamatória intestinal, nem síndrome de Lynch, polipose adenomatosa familiar ou outro distúrbio genético conhecido que eleve muito o risco.
Quem tem histórico pessoal ou familiar relevante não deve simplesmente seguir o intervalo geral: precisa de avaliação individual. A diretriz recomenda encerrar o rastreamento padrão aos 75 anos, embora registre que, em situações selecionadas, a continuidade pode ser considerada conforme condição funcional, comorbidades, expectativa de vida e exames anteriores.
O que é o teste FIT e como ele é feito
O FIT procura hemoglobina humana em uma amostra de fezes, identificando sangramento que não é visível a olho nu. Diferentemente do método antigo baseado em guaiaco, utiliza anticorpos específicos, exige apenas uma amostra e não requer restrição alimentar. O material é coletado em casa com um kit e processado pelo laboratório; não é uma colonoscopia nem identifica sozinho a causa do sangue.
As Diretrizes Brasileiras do Rastreamento do Câncer de Cólon e Reto aceitam FIT qualitativo ou quantitativo e recomendam ponto de corte de 50 ng/mL. Na meta-análise usada pelo documento, esse limite apresentou sensibilidade de 80% e especificidade de 91% para câncer colorretal. Esses percentuais descrevem o desempenho do teste em estudos: não equivalem à probabilidade individual de ter câncer e não eliminam falsos-positivos ou falsos-negativos.
FIT positivo significa câncer?
Não. O resultado mostra que foi detectado sangue na amostra, algo que pode ter diferentes causas. A recomendação nacional é encaminhar quem teve FIT positivo para colonoscopia, exame que permite examinar o cólon, coletar biópsias e retirar determinados pólipos. A confirmação de câncer depende da investigação e, quando necessário, da análise do tecido.



