A intoxicação por fumaça de queimadas entrou novamente no foco da vigilância em saúde. Em orientação publicada em 23 de outubro de 2026, o Ministério da Saúde pediu que profissionais reconheçam a relação entre sintomas e exposição, registrem casos suspeitos ou confirmados no Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan) e acompanhem sua evolução.
A atualização ocorre em meio ao El Niño e ao risco de incêndios florestais em áreas do país. Ela não cria um diagnóstico baseado apenas na presença de fumaça: a avaliação precisa integrar história de exposição, quadro clínico, contexto epidemiológico e, quando indicado, exames. A referência técnica é a Nota Técnica nº 3/2025-CGVAM/DVSAT/SVSA/MS, que detalha a investigação e a notificação no Sinan.
Intoxicação por fumaça de queimadas: quando suspeitar
A nota considera suspeita a pessoa que apresenta sinais respiratórios, cardiovasculares, neurológicos ou outros sintomas relacionados após exposição a queimadas, incêndios florestais ou outra fonte de fumaça, em ambiente aberto ou fechado. Entre os sinais citados estão falta de ar, tosse persistente, dor no peito, dor de cabeça, tontura, náusea, confusão mental e desmaio.
Esses sintomas são inespecíficos e podem ter outras causas. Por isso, proximidade temporal com o evento, duração e intensidade da exposição, existência de outras pessoas afetadas e hipóteses alternativas fazem diferença. A confirmação pode usar critério epidemiológico, clínico ou laboratorial; a própria nota recomenda integrar as evidências para qualificar o diagnóstico, a assistência e o registro.
A fumaça é uma mistura variável de gases, vapores e partículas. O monóxido de carbono (CO), incolor e sem cheiro, reduz o transporte de oxigênio no sangue e pode causar cefaleia, tontura, náusea, confusão, perda de consciência e outras manifestações. A nota classifica carboxi-hemoglobina acima de 30% como marcador de intoxicação grave, mas o número não substitui a avaliação clínica nem deve ser extrapolado para toda exposição à fumaça.
Como notificar intoxicação por fumaça no Sinan
Segundo a orientação divulgada pelo Ministério da Saúde, todo caso suspeito ou confirmado deve ser lançado na Ficha de Investigação de Intoxicação Exógena. No campo 49, a indicação é marcar “14 — Outros” e escrever “fumaça”. No campo 55, deve-se marcar “13 — Outra” e especificar “queimadas ou incêndios florestais”. Os campos 65 a 71 registram evolução e desfecho.
O preenchimento completo é relevante porque separa a exposição por fumaça de outras intoxicações e permite acompanhar padrões no território. A notificação de suspeita é um instrumento de vigilância; não equivale, por si só, a confirmação causal. Para povos indígenas aldeados, o Ministério informa que o caso também deve ser comunicado pelo Subsistema de Atenção à Saúde Indígena, por meio do respectivo Distrito Sanitário Especial Indígena.
Como formulários e sistemas podem receber revisões, a equipe deve conferir a versão vigente da ficha e os fluxos definidos pela vigilância municipal ou estadual. A reportagem resume a orientação federal e não substitui protocolo assistencial, decisão clínica ou norma local.
PM2,5 e monóxido de carbono não são o mesmo risco
O material particulado fino, conhecido como PM2,5, pode alcançar regiões profundas do pulmão e se deslocar a grandes distâncias do foco de incêndio. Já o CO é um gás gerado pela combustão incompleta. Distinguir esses componentes ajuda a evitar que toda queixa respiratória seja tratada como intoxicação por CO ou que a poluição por partículas seja subestimada.



