24/10/2026
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Intoxicação por fumaça de queimadas: identificação e notificação no Sinan

Ministério da Saúde orienta profissionais a reconhecer casos suspeitos, registrar a exposição no Sinan e acompanhar grupos mais vulneráveis diante do El Niño.

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Imagem ilustrativa da reportagem: Intoxicação por fumaça de queimadas: identificação e notificação no Sinan

A intoxicação por fumaça de queimadas entrou novamente no foco da vigilância em saúde. Em orientação publicada em 23 de outubro de 2026, o Ministério da Saúde pediu que profissionais reconheçam a relação entre sintomas e exposição, registrem casos suspeitos ou confirmados no Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan) e acompanhem sua evolução.

A atualização ocorre em meio ao El Niño e ao risco de incêndios florestais em áreas do país. Ela não cria um diagnóstico baseado apenas na presença de fumaça: a avaliação precisa integrar história de exposição, quadro clínico, contexto epidemiológico e, quando indicado, exames. A referência técnica é a Nota Técnica nº 3/2025-CGVAM/DVSAT/SVSA/MS, que detalha a investigação e a notificação no Sinan.

Intoxicação por fumaça de queimadas: quando suspeitar

A nota considera suspeita a pessoa que apresenta sinais respiratórios, cardiovasculares, neurológicos ou outros sintomas relacionados após exposição a queimadas, incêndios florestais ou outra fonte de fumaça, em ambiente aberto ou fechado. Entre os sinais citados estão falta de ar, tosse persistente, dor no peito, dor de cabeça, tontura, náusea, confusão mental e desmaio.

Esses sintomas são inespecíficos e podem ter outras causas. Por isso, proximidade temporal com o evento, duração e intensidade da exposição, existência de outras pessoas afetadas e hipóteses alternativas fazem diferença. A confirmação pode usar critério epidemiológico, clínico ou laboratorial; a própria nota recomenda integrar as evidências para qualificar o diagnóstico, a assistência e o registro.

A fumaça é uma mistura variável de gases, vapores e partículas. O monóxido de carbono (CO), incolor e sem cheiro, reduz o transporte de oxigênio no sangue e pode causar cefaleia, tontura, náusea, confusão, perda de consciência e outras manifestações. A nota classifica carboxi-hemoglobina acima de 30% como marcador de intoxicação grave, mas o número não substitui a avaliação clínica nem deve ser extrapolado para toda exposição à fumaça.

Como notificar intoxicação por fumaça no Sinan

Segundo a orientação divulgada pelo Ministério da Saúde, todo caso suspeito ou confirmado deve ser lançado na Ficha de Investigação de Intoxicação Exógena. No campo 49, a indicação é marcar “14 — Outros” e escrever “fumaça”. No campo 55, deve-se marcar “13 — Outra” e especificar “queimadas ou incêndios florestais”. Os campos 65 a 71 registram evolução e desfecho.

O preenchimento completo é relevante porque separa a exposição por fumaça de outras intoxicações e permite acompanhar padrões no território. A notificação de suspeita é um instrumento de vigilância; não equivale, por si só, a confirmação causal. Para povos indígenas aldeados, o Ministério informa que o caso também deve ser comunicado pelo Subsistema de Atenção à Saúde Indígena, por meio do respectivo Distrito Sanitário Especial Indígena.

Como formulários e sistemas podem receber revisões, a equipe deve conferir a versão vigente da ficha e os fluxos definidos pela vigilância municipal ou estadual. A reportagem resume a orientação federal e não substitui protocolo assistencial, decisão clínica ou norma local.

PM2,5 e monóxido de carbono não são o mesmo risco

O material particulado fino, conhecido como PM2,5, pode alcançar regiões profundas do pulmão e se deslocar a grandes distâncias do foco de incêndio. Já o CO é um gás gerado pela combustão incompleta. Distinguir esses componentes ajuda a evitar que toda queixa respiratória seja tratada como intoxicação por CO ou que a poluição por partículas seja subestimada.

No Brasil, uma pesquisa já estimou a relação entre PM2,5 de queimadas e internações hospitalares, reforçando que o efeito populacional da fumaça pode ocorrer longe das chamas. O dado epidemiológico, porém, não determina a causa de um sintoma individual.

Para a população, o Ministério recomenda acompanhar a qualidade do ar e os alertas oficiais, reduzir esforço ao ar livre quando o ar estiver ruim, manter ambientes internos protegidos da fumaça e usar PFF2, N95 ou P100 bem ajustada quando uma saída for indispensável. Falta de ar, dor no peito, cansaço extremo, tosse forte ou tontura demandam avaliação em serviço de saúde; emergências devem ser encaminhadas ao SAMU 192.

Por que o alerta ganhou urgência com o El Niño

O boletim federal do El Niño de setembro de 2026 projeta temperaturas acima da média e chuva abaixo da faixa normal em parte do centro-norte do país entre outubro e dezembro. Em julho e agosto, os eventos de fogo ficaram abaixo das médias mensais de 2020 a 2025, mas aumentaram 146% de julho para agosto e voltaram a crescer 66% em setembro, na comparação com agosto. A combinação exige monitoramento sem transformar projeção climática em previsão de adoecimento individual.

O novo documento atualiza um cenário que já vinha sendo acompanhado no plano de preparação do SUS para El Niño, secas e queimadas. Para gestores, a utilidade prática está em cruzar qualidade do ar, focos de calor, procura por atendimento e notificações, observando diferenças entre municípios e grupos expostos.

Quem exige vigilância reforçada

Crianças, idosos, gestantes, pessoas com asma, DPOC ou doença cardiovascular e comunidades próximas de áreas de fogo aparecem entre os grupos mais vulneráveis. A exposição ocupacional também merece investigação: bombeiros, brigadistas, trabalhadores rurais e florestais, agentes de Defesa Civil e profissionais de saúde podem enfrentar fumaça, calor e jornadas prolongadas.

As diretrizes federais para a saúde de brigadistas florestais pedem que a vigilância considere território, vínculo de trabalho, ambiente, processo laboral e rede de apoio. Isso amplia a análise para além da máscara: inclui condições seguras de operação, hidratação, descanso, prevenção de acidentes e articulação com os Centros de Referência em Saúde do Trabalhador.

A orientação federal melhora a padronização, mas não mede quantos casos ocorrerão nem resolve lacunas de monitoramento da qualidade do ar. O ganho depende de reconhecer a exposição, notificar no tempo adequado, investigar outras causas e registrar o desfecho. Para o profissional, a principal mudança prática é tornar visível no Sinan um agravo que pode ficar oculto entre sintomas respiratórios e neurológicos pouco específicos.

Imagem editorial ilustrativa de atendimento e vigilância em saúde durante episódio de fumaça. Pessoas, ambiente e materiais são fictícios e não representam paciente, unidade ou ocorrência real.

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As referências desta matéria estão disponíveis abaixo para consulta. Informações sobre estudos, medicamentos e políticas públicas devem ser lidas com seu contexto e suas limitações. Leia o método completo.

Fontes desta reportagem

5 no total · 5 primárias
  1. 01
    Fonte primáriagov.br
    Nota Técnica nº 3/2025-CGVAM/DVSAT/SVSA/MS

    Ministério da Saúde

  2. 02
  3. 03
  4. 04
    Fonte primáriagov.br
    Painel El Niño 2026–2027 — Boletim Mensal nº 04

    ANA, Inmet, Inpe, Cemaden, SGB, Sedec e Censipam

  5. 05

Responsabilidade editorial

Redator e responsável editorial

Douglas Machado é bacharel em Engenharia Civil, redator e responsável editorial do Saúde News, com foco em informação de saúde, contexto e fontes verificáveis.

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