A Organização Meteorológica Mundial (OMM) pediu nesta quarta-feira, 23 de setembro, que governos e comunidades antecipem a preparação para os riscos à saúde associados ao fortalecimento do El Niño. O alerta internacional aborda calor extremo, enchentes e seca, com efeitos que podem alcançar os próximos meses.
A organização projeta intensificação do fenômeno até o fim de 2026, quando parte do Hemisfério Sul se aproxima de sua estação mais quente. A preocupação não se limita à temperatura: mudanças nas chuvas também afetam a disponibilidade de água, a produção de alimentos e as condições de transmissão de doenças.
Por que o alerta interessa ao Brasil
O prognóstico de primavera publicado pelo Inmet em 22 de setembro, elaborado com Inpe e Funceme, prevê temperaturas acima da média em grande parte do país para outubro, novembro e dezembro. Há exceções, como áreas do Rio Grande do Sul com projeção de temperaturas próximas ou inferiores à média.
Para a chuva, o cenário inclui volumes acima da média no Sul e em partes do Centro-Oeste e Sudeste. Em grande parte do Norte, em Mato Grosso e no Matopiba, a tendência é de precipitação abaixo da média. Portanto, os desafios de preparação não são uniformes.
Uma explicação técnica do Inmet ressalta que previsões sazonais indicam tendências, não a data ou a cidade de uma futura tempestade. Também não permitem atribuir automaticamente todo evento extremo ao El Niño. A intensidade do fenômeno, isoladamente, não determina a gravidade dos impactos em cada região.
Proteger atendimentos também faz parte da prevenção
A análise global de saúde pública da OMS, publicada em 5 de setembro, orienta a preparação dos países e dá atenção à capacidade dos serviços. O documento foi elaborado com informações disponíveis até o fim de julho: é uma referência de planejamento, não um boletim em tempo real sobre cada município.
Entre as prioridades estão identificar unidades vulneráveis, organizar estoques essenciais e manter vacinação, atenção materno-infantil e acompanhamento de doenças crônicas. O objetivo é evitar que uma emergência ambiental interrompa cuidados dos quais a população já depende. A análise exige adaptação às condições locais; não substitui planos operacionais específicos.
Na avaliação regional divulgada pela OPAS em 18 de setembro, o Brasil aparece com redução dos níveis de água na bacia amazônica e piora da qualidade do ar associada a incêndios. A organização ressalva que, até o corte daquele relatório, não havia sido estabelecida correlação com desfechos específicos de saúde.
A OPAS também chama atenção para danos à infraestrutura e interrupções de água, energia e abastecimento. Sua orientação aos países inclui fortalecer alertas precoces, vigilância e planos de contingência, protegendo o acesso a medicamentos e serviços essenciais. Isso descreve medidas de preparação, não a confirmação de uma emergência sanitária nacional.
Informação útil sem transformar risco em certeza
Para períodos de calor, o Ministério da Saúde orienta manter ambientes frescos, usar roupas leves e planejar atividades externas para horários menos quentes. Crianças, idosos e pessoas com doenças preexistentes estão entre os grupos que exigem atenção adicional.
Fraqueza, tontura e náuseas durante a exposição ao calor justificam avaliação em um serviço de saúde. Confusão, convulsões ou perda de consciência podem indicar uma emergência e exigem atendimento imediato. Medicamentos não devem ser ajustados por conta própria. Essas informações são gerais e não substituem avaliação individual.
Capa ilustrativa gerada por IA; a cena não retrata pessoas, locais ou eventos reais.
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