A vacina rotavírus tem idade limite para cada dose no SUS, e páginas antigas ainda podem mostrar prazos que não correspondem ao calendário brasileiro de 2026. A regra atual permite a primeira dose até 11 meses e 29 dias e a segunda até 23 meses e 29 dias, embora a agenda recomendada continue sendo aos 2 e 4 meses de vida.
A importância de evitar oportunidades perdidas ganhou novo contexto com um estudo publicado em 26 de outubro de 2026 no JAMA Network Open. O modelo estimou que uma queda na vacinação de bebês nos Estados Unidos poderia acrescentar milhares de atendimentos por gastroenterite aguda. A análise não mediu eventos ocorridos no Brasil e não altera, por si só, o calendário do SUS.
O que o novo estudo sobre vacina rotavírus projetou
Os pesquisadores construíram um modelo de decisão para uma coorte anual de 3.622.673 nascimentos nos Estados Unidos. O cenário de referência considerou 71% dos bebês completamente vacinados, 15% parcialmente vacinados e 14% não vacinados. A partir daí, a pesquisa primária simulou reduções de 10%, 20% e 30% na proporção de crianças completamente vacinadas, transferindo-as para o grupo não vacinado.
Nos três cenários, o modelo projetou entre 1.500 e 4.500 internações adicionais e entre 4.400 e 13.200 visitas extras a serviços de emergência por gastroenterite aguda até os 2 anos. O custo social adicional estimado variou de US$ 34,5 milhões a US$ 103,5 milhões para uma única coorte anual.
Esses números descrevem o efeito calculado de uma mudança hipotética na política norte-americana, de recomendação rotineira para decisão compartilhada entre família e profissional. Eles não são uma previsão do que acontecerá no Brasil, não medem casos confirmados exclusivamente por rotavírus e não significam que toda gastroenterite seja evitável pela vacina.
Por que as estimativas exigem cautela
O trabalho é uma modelagem, não um ensaio clínico nem uma análise de internações observadas após uma mudança real. Os riscos usados vieram de 1.147.699 crianças com seguro comercial nascidas nos Estados Unidos entre 2009 e 2016. Populações com outra estrutura de acesso, calendário, cobertura e circulação viral podem ter resultados diferentes.
Os próprios autores apontam que a análise ficou restrita aos menores de 2 anos, não incluiu consultas ambulatoriais e considerou efeitos diretos, sem incorporar toda a proteção indireta decorrente de menor circulação do vírus. As projeções também dependem da hipótese de que a mudança de recomendação reduziria a adesão nos percentuais simulados.
Ainda assim, o estudo ajuda a dimensionar uma pergunta de saúde pública: pequenas perdas de cobertura podem se acumular em uma coorte inteira. A posição da Organização Mundial da Saúde recomenda que a vacinação contra rotavírus faça parte de todos os programas nacionais de imunização, respeitando as regras definidas em cada país.



