O teste DNA-HPV no SUS já começou a ser ofertado em 26 unidades federativas, segundo atualização publicada pelo Ministério da Saúde em 28 de outubro de 2026. O exame passa a ser o método primário do rastreamento do câncer do colo do útero e procura material genético de tipos de papilomavírus humano associados ao maior risco de lesões precursoras.
A expansão é nacional, mas gradual. O balanço mais recente do Ministério da Saúde informa que todas as unidades federativas, exceto o Espírito Santo, já receberam insumos e iniciaram a estratégia em pelo menos um município. Isso não significa que toda UBS desses estados já realize o exame. O Espírito Santo ainda organizava a rede e tinha previsão de receber materiais em 2026.
Teste DNA-HPV: quem pode fazer pelo SUS
A orientação do Instituto Nacional de Câncer (INCA) define como público do rastreamento pessoas de 25 a 64 anos, com colo do útero, que já tiveram atividade sexual. Isso inclui mulheres cisgênero e pode incluir homens trans e pessoas não binárias designadas como do sexo feminino ao nascer. A regra é voltada a pessoas sem sinais ou sintomas; situações especiais, como imunossupressão, seguem protocolos próprios.
Onde a estratégia já foi implantada, o primeiro passo é procurar a unidade básica de saúde de referência. A coleta convencional é feita por profissional de saúde. A autocoleta está prevista para situações estabelecidas no protocolo e depois de orientação profissional; não se trata de um teste doméstico comprado e interpretado sem acompanhamento.
DNA-HPV ou Papanicolau: o que muda
O teste molecular procura DNA de HPV de alto risco antes que uma alteração celular necessariamente apareça. O Papanicolau, por sua vez, examina células coletadas do colo do útero. A mudança não elimina o exame citopatológico de uma vez: ele continua sendo usado onde o DNA-HPV ainda não chegou e pode servir como triagem complementar depois de determinados resultados positivos.
A diretriz brasileira de rastreamento publicada em 2025 estabelece que, para pessoas de risco habitual, um resultado DNA-HPV negativo permite repetir o rastreamento em cinco anos. O intervalo maior decorre da capacidade do método de identificar infecções oncogênicas, mas não significa que a pessoa esteja dispensada de procurar atendimento se surgirem sintomas.
Resultado positivo no teste HPV significa câncer?
Não. Um resultado positivo indica a presença de um tipo de HPV de alto risco e exige a etapa de avaliação prevista para aquele achado. Pelas diretrizes nacionais, a detecção dos genótipos 16 ou 18 direciona para colposcopia. Para outros tipos oncogênicos, pode ser feita citologia reflexa; o resultado desse exame orienta colposcopia ou repetição do teste em prazo definido pela equipe.
A atualização das diretrizes brasileiras publicada pela Conitec em 28 de outubro reúne a segunda parte do documento, dedicada à avaliação, ao tratamento e ao seguimento de quem teve resultado alterado. Estados e municípios ainda precisam organizar fluxos entre atenção primária, laboratório, colposcopia e tratamento; por isso, disponibilidade do kit não equivale a cobertura completa da linha de cuidado.
A Organização Mundial da Saúde também recomenda testes de HPV como base de estratégias modernas de rastreamento, mas ressalta a necessidade de triagem e tratamento após resultados positivos. A diretriz da OMS traz parâmetros globais; no Brasil, idade, intervalo e encaminhamentos devem seguir o protocolo nacional.
Quando procurar a UBS e quais são os limites dos números
Rastreamento é destinado a quem não tem sintomas. Sangramento depois da relação sexual, entre menstruações ou após a menopausa, além de dor pélvica persistente, exigem avaliação clínica e não devem aguardar o calendário de rastreamento. A matéria sobre diagnóstico precoce do câncer de mama explica a mesma distinção entre examinar uma população sem sintomas e investigar um sinal já presente.
O Ministério contabiliza 153 mil amostras coletadas desde 2025, das quais 93 mil foram processadas em 2026; 9.904 tiveram HPV de alto risco. Esses dados mostram a escala inicial da implantação, mas não permitem calcular a prevalência nacional: os locais, a seleção do público e o estágio de entrada dos municípios não são uniformes.
O rastreamento também não substitui a vacinação contra o HPV. A proteção é complementar, e o calendário de vacinação do SUS em 2026 ajuda a conferir as doses indicadas por faixa etária e grupo especial. Mesmo pessoas vacinadas devem seguir as orientações de rastreamento quando estiverem na idade prevista.
A oferta local deve ser confirmada na UBS. Esta reportagem descreve a política pública e os fluxos nacionais; não interpreta resultados individuais, não recomenda exames fora do protocolo e não substitui avaliação de profissional de saúde.
Imagem editorial ilustrativa de preparação de amostra em uma unidade de saúde. Profissionais, frasco e ambiente são fictícios e não representam uma UBS, fabricante ou resultado real.
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