A atividade de influenza caiu no Brasil e no Cone Sul, enquanto o vírus sincicial respiratório (VSR) respondeu por 47% das hospitalizações por síndrome respiratória aguda grave (SRAG) com vírus identificado no país entre as semanas epidemiológicas 27 e 30 de 2026. Os dados do Ministério da Saúde e da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) apontam esses movimentos em indicadores distintos.

VSR permanece relevante nos hospitais brasileiros

No informe nacional publicado em 20 de agosto, com dados até a semana 30 — encerrada em 1º de agosto —, o VSR foi identificado em 47% dos casos hospitalizados de SRAG com resultado viral positivo nas quatro semanas analisadas. Rinovírus respondeu por 22% e influenza, por 14% nesse recorte.

Entre os óbitos por SRAG com identificação viral no mesmo período, influenza correspondeu a 32% dos registros, VSR a 25% e rinovírus a 24%. As proporções descrevem apenas mortes com vírus identificado, não o conjunto de todos os óbitos por SRAG no Brasil.

O informe nacional não aponta uma alta sustentada do VSR no país. O Ministério registrou desaceleração do crescimento em Mato Grosso do Sul e queda ou estabilização no restante do Brasil, embora a incidência de SRAG associada ao vírus continuasse elevada em Minas Gerais, Paraná, Rio de Janeiro, Roraima, São Paulo, Santa Catarina, Sergipe e Rio Grande do Sul. Na rede laboratorial privada, a positividade do VSR ficou em platô, com leve queda sem tendência estatisticamente definida; na rede pública, houve diminuição nacional.

A situação regional é mais heterogênea. A atualização mais recente da OPAS, referente à semana 31, relatou VSR elevado ou crescente na Argentina, no Chile, no Uruguai e no Panamá, sem citar o Brasil entre os países destacados. A OMS também registrou circulação simultânea de influenza e VSR e pequenas altas de positividade do VSR em países da América do Sul temperada.

Influenza B tem participação relevante na SRAG

A queda da influenza aparece tanto no recorte nacional quanto no regional. Na semana 30, a OPAS classificou como sustentado o declínio da influenza no agrupamento Brasil-Cone Sul, onde a positividade do vírus foi de 10,7%. No Brasil, a positividade de influenza A em laboratórios privados caía havia dez semanas, e a de influenza B acumulava quatro semanas consecutivas de queda.

A média nacional, porém, reúne situações diferentes nos estados. A influenza B ainda crescia no Espírito Santo, em Minas Gerais e no Rio Grande do Sul; desacelerava no Rio de Janeiro e em Santa Catarina; e caía no Ceará, Distrito Federal, Goiás, Maranhão, Mato Grosso do Sul, Paraná e São Paulo.

Nas Américas, a influenza B representou 50,8% de todas as amostras positivas para influenza e foi o tipo predominante no agrupamento Brasil-Cone Sul na semana 30. Na América Central e na região Andina, predominou o subtipo influenza A(H3N2).

No Brasil, a influenza B respondeu por 8,2 pontos percentuais dos 14% de hospitalizações por SRAG com vírus identificado atribuídas à influenza nas semanas 27 a 30. Nos óbitos com identificação viral, ela representou 16,5 pontos percentuais dos 32% associados à influenza. Esses números mostram participação relevante da influenza B entre notificações graves com resultado laboratorial, mas não estimam qual vírus predomina entre todas as infecções respiratórias na comunidade. O informe mede SRAG notificada e resultados de vigilância, não uma amostra populacional de todas as pessoas infectadas.

O peso pediátrico e as medidas disponíveis

Dados consolidados de 2025 ajudam a dimensionar o impacto histórico do VSR em crianças pequenas. Até a semana 44 daquele ano, 35.255 dos 42.752 casos de SRAG por VSR registrados no país — 82,5% — ocorreram em menores de 2 anos. Entre essas crianças, 21.657 tinham menos de 6 meses, grupo que concentrou 7.773 internações em UTI e 179 mortes.

Esses registros são retrospectivos e não retratam a distribuição etária da temporada de 2026. O texto do informe nacional da semana 30 não apresenta uma estimativa de casos por faixa etária limitada àquele período. No SUS, a estratégia de prevenção contra VSR inclui vacinação durante a gestação e nirsevimabe para prematuros e crianças elegíveis com condições de maior risco.

O que a vigilância permite concluir

Os documentos analisados são atualizações semanais de vigilância descritiva. Eles consolidam notificações de SRAG, atendimentos por síndrome gripal e resultados laboratoriais enviados pelos sistemas nacionais, em vez de acompanhar individualmente participantes como um ensaio clínico ou uma coorte.

Essa metodologia limita comparações diretas entre locais e períodos. A OMS alerta que estratégias de testagem, completude das bases e revisões retrospectivas variam entre países e que indicadores de vigilância precisam ser interpretados com cautela. O Ministério também informa que atrasos de notificação, atualizações de base e instabilidade no envio de dados laboratoriais podem alterar a leitura do cenário brasileiro.

A conclusão sustentada pelos boletins é que a influenza recuava no Brasil e no Cone Sul, enquanto o VSR mantinha participação alta nas hospitalizações por SRAG no país e apresentava crescimento em partes do Cone Sul. A página pública da atualização regional da OPAS para a semana 30 não confirma informações sobre financiamento, conflitos de interesse individuais ou autoria individual do boletim.