13/10/2026
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Influenza recua; VSR mantém pressão hospitalar alta no Brasil

Boletins até a semana 30 mostram queda da gripe e VSR ainda frequente em SRAG; alta regional não estabelece tendência nacional.

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Imagem ilustrativa da reportagem: Influenza recua; VSR mantém pressão hospitalar alta no Brasil

A atividade de influenza caiu no Brasil e no Cone Sul, enquanto o vírus sincicial respiratório (VSR) respondeu por 47% das hospitalizações por síndrome respiratória aguda grave (SRAG) com vírus identificado no país entre as semanas epidemiológicas 27 e 30 de 2026. Os dados do Ministério da Saúde e da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) apontam esses movimentos em indicadores distintos.

VSR permanece relevante nos hospitais brasileiros

No informe nacional publicado em 20 de agosto, com dados até a semana 30 — encerrada em 1º de agosto —, o VSR foi identificado em 47% dos casos hospitalizados de SRAG com resultado viral positivo nas quatro semanas analisadas. Rinovírus respondeu por 22% e influenza, por 14% nesse recorte.

Entre os óbitos por SRAG com identificação viral no mesmo período, influenza correspondeu a 32% dos registros, VSR a 25% e rinovírus a 24%. As proporções descrevem apenas mortes com vírus identificado, não o conjunto de todos os óbitos por SRAG no Brasil.

O informe nacional não aponta uma alta sustentada do VSR no país. O Ministério registrou desaceleração do crescimento em Mato Grosso do Sul e queda ou estabilização no restante do Brasil, embora a incidência de SRAG associada ao vírus continuasse elevada em Minas Gerais, Paraná, Rio de Janeiro, Roraima, São Paulo, Santa Catarina, Sergipe e Rio Grande do Sul. Na rede laboratorial privada, a positividade do VSR ficou em platô, com leve queda sem tendência estatisticamente definida; na rede pública, houve diminuição nacional.

A situação regional é mais heterogênea. A atualização mais recente da OPAS, referente à semana 31, relatou VSR elevado ou crescente na Argentina, no Chile, no Uruguai e no Panamá, sem citar o Brasil entre os países destacados. A OMS também registrou circulação simultânea de influenza e VSR e pequenas altas de positividade do VSR em países da América do Sul temperada.

Influenza B tem participação relevante na SRAG

A queda da influenza aparece tanto no recorte nacional quanto no regional. Na semana 30, a OPAS classificou como sustentado o declínio da influenza no agrupamento Brasil-Cone Sul, onde a positividade do vírus foi de 10,7%. No Brasil, a positividade de influenza A em laboratórios privados caía havia dez semanas, e a de influenza B acumulava quatro semanas consecutivas de queda.

A média nacional, porém, reúne situações diferentes nos estados. A influenza B ainda crescia no Espírito Santo, em Minas Gerais e no Rio Grande do Sul; desacelerava no Rio de Janeiro e em Santa Catarina; e caía no Ceará, Distrito Federal, Goiás, Maranhão, Mato Grosso do Sul, Paraná e São Paulo.

Nas Américas, a influenza B representou 50,8% de todas as amostras positivas para influenza e foi o tipo predominante no agrupamento Brasil-Cone Sul na semana 30. Na América Central e na região Andina, predominou o subtipo influenza A(H3N2).

No Brasil, a influenza B respondeu por 8,2 pontos percentuais dos 14% de hospitalizações por SRAG com vírus identificado atribuídas à influenza nas semanas 27 a 30. Nos óbitos com identificação viral, ela representou 16,5 pontos percentuais dos 32% associados à influenza. Esses números mostram participação relevante da influenza B entre notificações graves com resultado laboratorial, mas não estimam qual vírus predomina entre todas as infecções respiratórias na comunidade. O informe mede SRAG notificada e resultados de vigilância, não uma amostra populacional de todas as pessoas infectadas.

O peso pediátrico e as medidas disponíveis

Dados consolidados de 2025 ajudam a dimensionar o impacto histórico do VSR em crianças pequenas. Até a semana 44 daquele ano, 35.255 dos 42.752 casos de SRAG por VSR registrados no país — 82,5% — ocorreram em menores de 2 anos. Entre essas crianças, 21.657 tinham menos de 6 meses, grupo que concentrou 7.773 internações em UTI e 179 mortes.

Esses registros são retrospectivos e não retratam a distribuição etária da temporada de 2026. O texto do informe nacional da semana 30 não apresenta uma estimativa de casos por faixa etária limitada àquele período. No SUS, a estratégia de prevenção contra VSR inclui vacinação durante a gestação e nirsevimabe para prematuros e crianças elegíveis com condições de maior risco.

O que a vigilância permite concluir

Os documentos analisados são atualizações semanais de vigilância descritiva. Eles consolidam notificações de SRAG, atendimentos por síndrome gripal e resultados laboratoriais enviados pelos sistemas nacionais, em vez de acompanhar individualmente participantes como um ensaio clínico ou uma coorte.

Essa metodologia limita comparações diretas entre locais e períodos. A OMS alerta que estratégias de testagem, completude das bases e revisões retrospectivas variam entre países e que indicadores de vigilância precisam ser interpretados com cautela. O Ministério também informa que atrasos de notificação, atualizações de base e instabilidade no envio de dados laboratoriais podem alterar a leitura do cenário brasileiro.

A conclusão sustentada pelos boletins é que a influenza recuava no Brasil e no Cone Sul, enquanto o VSR mantinha participação alta nas hospitalizações por SRAG no país e apresentava crescimento em partes do Cone Sul. A página pública da atualização regional da OPAS para a semana 30 não confirma informações sobre financiamento, conflitos de interesse individuais ou autoria individual do boletim.

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As referências desta matéria estão disponíveis abaixo para consulta. Informações sobre estudos, medicamentos e políticas públicas devem ser lidas com seu contexto e suas limitações. Leia o método completo.

Fontes desta reportagem

6 no total · 6 primárias
  1. 01
    Fonte primáriagov.br
    Informe Epidemiológico — Semana Epidemiológica 30 de 2026

    Ministério da Saúde do Brasil

  2. 02
    Fonte primáriapaho.org
    Regional update: influenza and other respiratory viruses, epidemiological week 30

    Organização Pan-Americana da Saúde

  3. 03
    Fonte primáriapaho.org
    Regional update: influenza and other respiratory viruses, epidemiological week 31

    Organização Pan-Americana da Saúde

  4. 04
    Documento oficialcdn.who.int
    Global respiratory virus activity — weekly update no. 590

    Organização Mundial da Saúde

  5. 05
    Documento oficialgov.br
    Guia de estratégia contra vírus sincicial para crianças prematuras

    Ministério da Saúde do Brasil

  6. 06
    Documento oficialgov.br
    Vírus sincicial respiratório (VSR)

    Ministério da Saúde do Brasil

Responsabilidade editorial

Redator e responsável editorial

Douglas Machado é bacharel em Engenharia Civil, redator e responsável editorial do Saúde News, com foco em informação de saúde, contexto e fontes verificáveis.

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