O Ministério da Saúde divulgou nesta segunda-feira (21) a incorporação ao SUS de técnicas que permitem tratar catarata e glaucoma na mesma operação. A mudança amplia as opções para um grupo definido de pacientes, mas não significa indicação para qualquer pessoa com essas doenças nem disponibilidade imediata em todos os hospitais. O anúncio está no comunicado oficial da pasta.
Quem está incluído na decisão
A Portaria SCTIE/MS nº 57, publicada em 17 de setembro, contempla pacientes com catarata e glaucoma primário de ângulo aberto, com dano inicial ou moderado controlado com colírios. O atendimento deverá seguir o protocolo do Ministério da Saúde. Portanto, não é uma autorização genérica para tratar todas as formas ou estágios de glaucoma com a mesma técnica.
A norma estabelece até 180 dias para as áreas técnicas efetivarem a oferta no SUS. Esse é um prazo de implementação da tecnologia, não uma promessa de que cada paciente será operado nesse intervalo. O comunicado não apresenta uma relação de hospitais com atendimento já iniciado ou um calendário local de agendamento.
O que muda na operação
A decisão reúne a retirada do cristalino com implante de lente intraocular e uma intervenção na drenagem do líquido do olho. São duas possibilidades: goniotomia excisional ou trabeculotomia transluminal. A primeira remove uma pequena faixa de tecido que dificulta a saída do líquido; a segunda utiliza um microcateter ou fio cirúrgico no canal de drenagem. A descrição consta do relatório para a sociedade da Conitec.
As duas condições têm alvos diferentes. Na catarata, o cristalino perde transparência, prejudicando a passagem da luz. O National Eye Institute (NEI), dos Estados Unidos, explica que a cirurgia substitui essa lente opaca por uma artificial. A avaliação considera, entre outros aspectos, o impacto da perda visual nas atividades diárias e os riscos do procedimento.
No glaucoma, há dano ao nervo óptico. Segundo o NEI sobre cirurgia para glaucoma, reduzir a pressão dentro do olho pode ajudar a proteger a visão restante. A operação, porém, não cura a doença nem desfaz a perda visual que ela já provocou. Essa distinção é importante para evitar a expectativa de recuperação completa ao tratar as duas condições juntas.
O que a evidência permite concluir
O relatório da Conitec consultado, elaborado para a fase de consulta pública, descreve dois estudos que compararam goniotomia excisional com iStent, ambos associados à cirurgia de catarata. Os resultados foram semelhantes no controle da pressão e na redução de medicamentos. O documento não identificou comparação entre trabeculotomia transluminal e iStent. Isso limita conclusões sobre equivalência entre todas as opções e não garante abandono dos colírios.
A Glaucoma Research Foundation explica que cirurgias minimamente invasivas buscam reduzir algumas complicações das técnicas tradicionais, mas podem envolver uma troca entre segurança e intensidade da redução da pressão. A escolha depende do tipo e do estágio do glaucoma; uma técnica menos invasiva não é automaticamente a melhor para todo paciente.
Acompanhamento continua necessário
O NEI ressalta que consultas após a cirurgia servem para avaliar a cicatrização e medir a pressão ocular, e que algumas pessoas podem precisar de outra intervenção. Há riscos, como alterações da pressão e problemas na córnea. A decisão e a continuidade dos medicamentos exigem avaliação do oftalmologista; o anúncio não justifica interromper tratamento por conta própria.
Capa ilustrativa gerada por IA; a cena não retrata pacientes, profissionais ou instalações reais.
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