A Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) apontou falhas de financiamento e execução das políticas para idosos nas Américas em balanço divulgado em 6 de outubro.
Nos países participantes, a proporção com políticas de cuidados prolongados passou de 61% em 2020 para 88% em 2025. Só sete relataram leis de apoio a cuidadores informais.
A pesquisa ouviu 28 dos 37 países e territórios convidados. Os resultados não equivalem à cobertura efetiva dos serviços.
Cuidado prolongado não é sinônimo de institucionalização
A explicação técnica da Organização Mundial da Saúde sobre cuidados de longa duração abrange apoio pessoal, social e de saúde oferecido ao longo do tempo. Ele se destina a quem apresenta, ou corre risco de apresentar, perdas importantes de capacidade física ou mental que comprometam a vida cotidiana.
Esse apoio pode ser prestado na residência, em serviços comunitários, em instituições residenciais ou em hospitais. Portanto, precisar de ajuda continuada não significa, por si só, que a pessoa tenha de deixar a própria casa. A definição do cuidado depende das necessidades e do contexto em que ela vive.
A OMS também destaca a saúde de quem cuida. Sobrecarga persistente pode afetar o bem-estar físico e mental e as oportunidades de trabalho dos familiares. Informação, capacitação, serviços de apoio e períodos de descanso fazem parte de uma resposta que não transfere toda a responsabilidade para a família.
Idade não resume as necessidades de saúde
Segundo a síntese da OMS sobre envelhecimento e saúde, as mudanças físicas e mentais não acontecem de maneira uniforme. Pessoas da mesma idade podem ter capacidades e necessidades muito diferentes. Presumir que todo idoso é frágil ou dependente favorece discriminação e pode limitar sua participação social.
O ambiente também importa. Transporte acessível, prédios seguros e espaços em que seja possível caminhar ajudam a manter a participação na comunidade mesmo quando existem limitações. Por isso, envelhecimento saudável não se resolve apenas com consultas: envolve as condições da moradia, do bairro e dos serviços que a pessoa consegue utilizar.
Como esse cuidado se organiza no Brasil
Em balanço publicado em 1º de outubro, o Ministério da Saúde destacou o acompanhamento pela atenção primária e a articulação entre serviços. A política nacional para essa população busca preservar, promover e recuperar autonomia e independência, considerando diferentes formas de envelhecer.
O Ministério informou 267,3 milhões de registros de produção assistencial voltados a pessoas idosas no primeiro semestre de 2026. A conta inclui procedimentos, visitas domiciliares, atendimentos individuais e odontológicos. Não corresponde a 267,3 milhões de pessoas distintas nem demonstra, isoladamente, que todas as necessidades tenham sido atendidas.
O Programa de Atenção Domiciliar à Pessoa Idosa, o Padi Brasil, é direcionado a pessoas com 60 anos ou mais restritas ao domicílio, especialmente com limitações funcionais, condições crônicas ou maior vulnerabilidade. Equipes multiprofissionais da atenção primária atuam em conjunto com outros serviços do território.
As ações previstas incluem avaliação em casa, elaboração e acompanhamento de um plano de cuidados e orientação a familiares ou cuidadores. O programa prevê incentivo às equipes que aderirem. Essa organização não equivale a oferecer automaticamente um cuidador particular em tempo integral.
Para famílias que precisam desse apoio, a Unidade Básica de Saúde de referência é o ponto para conversar sobre as necessidades da pessoa e a organização local do acompanhamento. A idade, sozinha, não determina um plano de atendimento: é necessário considerar a avaliação da equipe, a situação de saúde e o suporte disponível no território.
Capa ilustrativa gerada por IA. A cena é fictícia e não retrata pacientes reais nem um atendimento específico do SUS.
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