O Brasil está entre os 14 países que poderão comprar lenacapavir pelos Fundos Rotatórios Regionais da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas). O acordo com a Gilead Sciences, anunciado em 15 de setembro, cria uma via de acesso ao medicamento usado na prevenção do HIV.
As compras seguirão os processos nacionais. O comunicado não fixa preço, quantidade ou data de entrega ao Brasil. Também prevê avançar na transferência de tecnologia para futura produção brasileira, ainda sem prazos ou mecanismos definidos. Portanto, o anúncio não deve ser confundido com distribuição imediata aos pacientes.
Registro sanitário não é oferta automática no SUS
A Anvisa informou em janeiro de 2026 a aprovação da indicação do Sunlenca, nome comercial do lenacapavir, para profilaxia pré-exposição ao HIV-1 adquirido por via sexual. A autorização contempla adultos e adolescentes acima de 12 anos, com peso mínimo de 35 quilos, sob risco de infecção. É necessário resultado negativo para HIV antes do início.
Na mesma publicação, a agência distingue o registro da incorporação ao SUS, que envolve avaliação da Conitec e decisão do Ministério da Saúde. Essa diferença ajuda a interpretar a novidade: uma autorização sanitária e um mecanismo de aquisição não são, por si sós, uma confirmação de atendimento disponível em determinada unidade.
Prevenção de longa duração, não vacina
Em julho de 2025, a Organização Mundial da Saúde recomendou o lenacapavir injetável, com administração semestral, como mais uma opção de PrEP. O objetivo é ampliar as alternativas para quem encontra dificuldades com esquemas mais frequentes. Trata-se de um antirretroviral, não de uma vacina contra o HIV.
A recomendação integra a prevenção combinada e não elimina a necessidade de acompanhamento. A OMS também destacou a importância de coletar informações sobre adesão, utilização e impacto na prática. A escolha entre as opções depende da avaliação de cada pessoa e da organização dos serviços, e não apenas do intervalo entre aplicações.
O que os estudos mostram — e o que não garantem
Uma síntese técnica dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC) analisou os estudos PURPOSE 1 e PURPOSE 2, que sustentaram a recomendação norte-americana em 2025. As pesquisas apontaram elevada eficácia preventiva. Isso não significa proteção absoluta para todas as pessoas: no PURPOSE 2 houve infecções entre participantes que receberam o medicamento.
O documento também descreve reações no local da injeção, sobretudo dor, nódulos e endurecimento, em geral leves ou moderadas. Os autores apontam questões que ainda precisam de acompanhamento, incluindo resultados em períodos mais longos e estratégias de implementação. A publicação norte-americana ajuda a contextualizar as evidências, mas não substitui as regras brasileiras.
As opções existentes continuam importantes
O Ministério da Saúde explica que a PrEP faz parte das estratégias para prevenir o HIV e deve estar associada ao acompanhamento e à testagem. A página orienta a procura de uma unidade do SUS ou de um Centro de Testagem e Aconselhamento para conhecer as opções oferecidas.
PrEP não protege contra outras infecções sexualmente transmissíveis. Por isso, preservativos e outras medidas de prevenção continuam relevantes. Quem já utiliza uma estratégia preventiva não deve interrompê-la ou trocá-la por conta própria em razão do anúncio: dúvidas sobre indicação e acesso precisam ser discutidas com a equipe de saúde.
Capa ilustrativa gerada por IA; a cena não retrata pessoas, produtos ou serviços reais.
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