13/10/2026
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Febre maculosa em Americana teve exantema em 5 de 15 casos em 2018

Investigação de 15 casos em Americana (SP) registrou 11 mortes e levantou hipóteses sobre diagnóstico e ecologia, sem provar causalidade.

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Imagem ilustrativa da reportagem: Febre maculosa em Americana teve exantema em 5 de 15 casos em 2018

Em um agrupamento periurbano de febre maculosa brasileira em Americana (SP), cinco dos 15 pacientes com confirmação laboratorial tiveram exantema disseminado. O agrupamento ocorreu entre 26 de abril e 7 de junho de 2018 e registrou 11 óbitos. A investigação ecoepidemiológica descreveu intervalos maiores até o início da doxiciclina entre os não sobreviventes e formulou uma hipótese sobre carrapatos e capivaras, mas não demonstrou que esses fatores causaram os óbitos.

Todos os pacientes relataram atividades ao ar livre perto da confluência dos rios Atibaia e Jaguari, na área investigada em Americana. O agrupamento durou 43 dias, e a pesquisa ambiental foi feita depois de seu início.

O exantema foi pouco frequente?

O exantema disseminado foi registrado em cinco pacientes, ou 33,3% dos 15 casos. Entre as seis pessoas classificadas como pessoas de cor, houve um registro desse sinal. Os autores levantaram a hipótese de que a baixa frequência do exantema pode ter contribuído para uma suspeita clínica tardia, mas a frequência de exantema não foi comparada com uma coorte externa nem permite atribuir a ele os atrasos ou as mortes. A carta relata a hipótese como uma possível explicação.

A apresentação sem exantema não é incompatível com a doença. O Ministério da Saúde informa que o sinal pode surgir tardiamente, ser discreto, atípico ou estar ausente, enquanto a Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo aponta que a febre maculosa pode ocorrer com ou sem exantema e que o diagnóstico inicial pode ser difícil.

O intervalo até a assistência e o tratamento

Os pacientes passaram por uma mediana de três consultas antes da hospitalização. Entre os 12 internados, a mediana entre o começo dos sintomas e a internação foi de quatro dias. Entre os 11 que morreram, a mediana foi de seis dias entre o início dos sintomas e o óbito, e de um dia entre a internação e a morte. Esses tempos descrevem os intervalos entre o início dos sintomas, a internação e o óbito naquele agrupamento.

A doxiciclina foi iniciada no dia mediano 3 entre sobreviventes e no dia mediano 6 entre não sobreviventes, contados a partir do início dos sintomas. São diferenças temporais descritivas, sem análise multivariável ou ajuste para possíveis fatores de confusão. A recomendação do Ministério da Saúde é iniciar imediatamente o tratamento antimicrobiano em casos suspeitos, sem aguardar a confirmação laboratorial, idealmente antes do quinto dia; a diretriz indica a doxiciclina como antimicrobiano de escolha. Os dados de Americana, porém, não testaram um protocolo de início do tratamento e não comprovam que receber o medicamento no terceiro dia tenha causado a sobrevivência.

A hipótese ecológica fora da sazonalidade

O evento ocorreu de abril a junho, intervalo que os autores trataram como fora do período habitual de julho a novembro. Em 14 de junho de 2018, a equipe coletou 403 carrapatos Amblyomma sculptum e 82 Amblyomma dubitatum em dez locais. Oito pacientes relataram picada de carrapato.

Os pesquisadores propuseram uma hipótese ecológica: formas imaturas de carrapatos e a renovação de capivaras suscetíveis poderiam ter favorecido o agrupamento naquele período. A proposta não confirma uma cadeia de transmissão envolvendo capivaras, larvas ou ninfas. Os carrapatos capturados não foram testados para Rickettsia rickettsii, e o material suplementar não apresenta número ou testes de capivaras nem identifica o estágio do carrapato que teria transmitido a infecção a cada paciente.

O que os dados não demonstram

A letalidade observada no agrupamento foi de 73,3%, ou 11 mortes em 15 casos, sem intervalo de confiança ou medida inferencial de efeito. Por ser uma amostra pequena e definida pelo próprio evento, ela não estima a letalidade geral da febre maculosa brasileira. A investigação também não apresentou análise multivariável ou comparação externa para a frequência de exantema.

Há ainda uma diferença não esclarecida nos registros: a carta descreve 15 casos confirmados, enquanto o painel estadual registra 16 casos em Americana em 2018, por local provável de infecção e ano de início dos sintomas. A publicação também não informa financiador, patrocinador ou quem executou análise estatística.

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As referências desta matéria estão disponíveis abaixo para consulta. Informações sobre estudos, medicamentos e políticas públicas devem ser lidas com seu contexto e suas limitações. Leia o método completo.

Fontes desta reportagem

6 no total · 6 primárias
  1. 01
    Fonte primáriawwwnc.cdc.gov
    Brazilian Spotted Fever Cluster, Americana, Brazil, 2018

    Emerging Infectious Diseases, Centers for Disease Control and Prevention

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    Fonte primáriawwwnc.cdc.gov
    Table 1: Brazilian Spotted Fever Cluster, Americana, Brazil, 2018

    Emerging Infectious Diseases, Centers for Disease Control and Prevention

  3. 03
    Fonte primáriawwwnc.cdc.gov
    Appendix: Brazilian Spotted Fever Cluster, Americana, Brazil, 2018

    Emerging Infectious Diseases, Centers for Disease Control and Prevention

  4. 04
    Documento oficialgov.br
    Febre maculosa: aspectos epidemiológicos, clínicos e ambientais

    Ministério da Saúde

  5. 05
    Documento oficialsaude.sp.gov.br
    Febre maculosa

    Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo

  6. 06
    Documento oficialsaude.sp.gov.br
    Febre maculosa: dados epidemiológicos

    Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo

Responsabilidade editorial

Redator e responsável editorial

Douglas Machado é bacharel em Engenharia Civil, redator e responsável editorial do Saúde News, com foco em informação de saúde, contexto e fontes verificáveis.

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