A OMS, o UNICEF e a Gavi anunciaram em comunicado conjunto publicado em 2 de setembro o lançamento, em 27 de agosto de 2026, de um estoque internacional de vacinas contra mpox, cuja operação é prevista para setembro de 2026. A Gavi financia a reserva, enquanto o International Coordinating Group on Vaccine Provision (ICG) coordenará as decisões de alocação e o UNICEF organizará o envio das doses aprovadas. Para o Brasil, o mecanismo abre a possibilidade formal de pedir vacinas em um surto, mas não assegura entrega, gratuidade ou disponibilidade imediata.
Quem poderá pedir e como a alocação será decidida
O ICG reúne OMS, UNICEF, Federação Internacional das Sociedades da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho e Médicos Sem Fronteiras, e é o grupo encarregado de coordenar o uso da reserva em respostas a surtos. Segundo a Gavi, países que enfrentem mpox poderão solicitar doses; especialistas das quatro organizações deverão avaliar a situação epidemiológica, a população proposta para vacinação, a estratégia apresentada e a quantidade pedida. A meta anunciada é decidir sobre a alocação em até 48 horas e, depois da aprovação, o UNICEF deverá providenciar o envio rápido.
O procedimento geral do ICG prevê que o país envie ao secretariado da OMS evidências epidemiológicas e laboratoriais do surto, estratégia de vacinação, informação sobre doses já disponíveis, capacidade de cadeia de frio, meios para executar a campanha e um plano de ação; as decisões são tomadas por consenso entre os membros do grupo, segundo a página institucional do mecanismo. Esse é, porém, o protocolo geral dos estoques de emergência do ICG. A página específica de mpox ainda informava que a operacionalização estava em curso, embora a Gavi diga que formulários e ferramentas nacionais foram desenvolvidos.
Assim, é confirmado que a reserva seguirá a lógica de avaliar pedidos conforme o surto e o impacto esperado, mas não há uma matriz pública de pontos, limiar de casos, cotas por país ou regra de desempate entre surtos simultâneos divulgada para mpox. A promessa de acesso equitativo consta do anúncio conjunto, mas os critérios detalhados para comparar solicitações concorrentes continuam fora dos documentos públicos.
Volume de doses e contratos ainda não foram divulgados
O principal dado material do estoque ainda não foi informado: a ficha técnica da Gavi afirma que o tamanho exato e a composição final da reserva dependem da licitação e dos acordos finais com fabricantes. O documento cita a possibilidade de incluir as vacinas MVA-BN, da Bavarian Nordic, e LC16, da KM Biologics, mas não confirma contratos, quantidades, local de armazenamento ou cronograma de reposição.
O número de 500 mil doses não descreve o inventário inaugural. Ele aparece em um caso de investimento da Gavi publicado em julho de 2025 como hipótese de planejamento para 2026 a 2030. Nesse modelo, uma reserva desse tamanho poderia responder a 44% a 52% dos surtos de mpox em países elegíveis à Gavi, conforme a velocidade da resposta; trata-se de projeção, não de desempenho observado do novo estoque.



