A Anvisa iniciou em 1º de outubro uma campanha para prevenir erros de medicação e estimular sua notificação. A iniciativa, detalhada em comunicado publicado nesta sexta-feira, 2 de outubro, terá ações ao longo do mês e envolve profissionais, pacientes, cuidadores e instituições de saúde.
A agência informou ter recebido 57.911 notificações de erros de medicação entre dezembro de 2018 e agosto de 2026. Erro de prescrição e omissão de dose estão entre as categorias mais relatadas. O período de quase oito anos é importante: o número não representa somente ocorrências de 2026.
Registros não equivalem ao total de erros no país
O balanço apresentado no anúncio é de notificações recebidas, não de uma pesquisa que acompanhou todos os pacientes brasileiros. Assim, não permite calcular sozinho o risco individual de sofrer um erro nem concluir quantas pessoas diferentes foram afetadas. Também não demonstra, por si só, que a frequência de falhas esteja aumentando.
Um erro pode ser identificado antes de causar dano
A página da campanha define erro de medicação como uma ocorrência evitável capaz de levar ao uso inadequado de um medicamento ou de prejudicar o paciente. A definição inclui situações sob responsabilidade de profissionais, pacientes ou consumidores e não exige que o dano já tenha ocorrido.
As falhas podem acontecer na prescrição, na entrega do produto, na administração ou no armazenamento. A mobilização brasileira integra a campanha coordenada pelo Uppsala Monitoring Centre, centro colaborador da Organização Mundial da Saúde (OMS). A proposta é criar espaço para identificar riscos e aprender com eles, em vez de concentrar a resposta na atribuição de culpa.
A prevenção depende também de como o serviço funciona
Na iniciativa Medication Without Harm, a OMS aponta que sistemas frágeis, fadiga, condições inadequadas de trabalho e falta de profissionais podem favorecer erros ao longo do uso de medicamentos. Isso ajuda a explicar por que a prevenção não se resume a pedir mais atenção a uma única pessoa.
A organização destaca três áreas de trabalho: uso de vários medicamentos, situações de alto risco e transições entre serviços ou etapas do cuidado. Essa iniciativa internacional foi lançada em 2017 e serve aqui como contexto; não é um novo programa anunciado nesta semana nem uma medida de risco específica para o Brasil.
Como comunicar uma suspeita
O portal oficial do VigiMed oferece acesso para cidadãos e profissionais de saúde, além de caminhos próprios para empresas e profissionais cadastrados. O registro deve ser feito no canal correspondente ao perfil de quem comunica, seguindo as orientações do formulário.
Nas orientações sobre notificação, a Anvisa explica que não é necessário ter certeza de que um medicamento causou a reação: a suspeita pode ser relatada. Identificar o produto, o fabricante e o lote contribui para a análise. Dados completos e corretos são mais úteis do que conclusões sem informação que as sustente.
Esses relatos ajudam a identificar riscos e a atualizar o acompanhamento da segurança dos produtos. O envio de uma suspeita, porém, não é um laudo nem confirma a relação de causa e efeito. A análise técnica é uma etapa diferente do preenchimento do formulário.
A notificação também não substitui assistência. Diante de possível erro ou reação, a conduta deve ser discutida com um profissional de saúde; situações graves exigem atendimento imediato. Não altere doses, compense uma dose esquecida ou interrompa um tratamento por conta própria com base nesta reportagem.
Capa ilustrativa gerada por IA. Os objetos são fictícios e não identificam medicamentos, pacientes ou ocorrências reais.
Conteúdo informativo — não substitui consulta, diagnóstico ou tratamento médico. Encontrou um erro? Fale com a redação.