A Anvisa publicou, na terça-feira (15), um esclarecimento sobre o boato de petróleo em biscoitos recheados. Segundo a agência, a alegação confunde ingredientes com substâncias usadas na fabricação.
É o caso do hexano, solvente usado no processamento de óleos e gorduras. Esse uso não equivale a adicionar petróleo ao biscoito.
O que muda entre ingrediente e auxiliar de fabricação
Coadjuvantes de tecnologia auxiliam a fabricação e devem ser removidos. A agência admite resíduos tecnicamente inevitáveis dentro das condições de segurança; não constar no rótulo, portanto, não comprova ausência absoluta de traços.
O comunicado esclarece uma alegação; não apresenta testes laboratoriais de todos os produtos e lotes à venda.
Autorização depende de condições de uso
A página da Anvisa sobre regularização de matérias-primas e ingredientes explica que aditivos e coadjuvantes passam por avaliação de segurança e de necessidade tecnológica. Quando permitidos, entram em listas que especificam em quais alimentos, funções, quantidades e condições podem ser utilizados.
Isso significa que a autorização não é uma permissão genérica para empregar qualquer substância em qualquer alimento. A empresa precisa respeitar o uso previsto. Se pretende usar uma substância ainda não autorizada ou mudar as condições já aprovadas, deve submeter um pedido de avaliação à agência.
Essa distinção ajuda a interpretar mensagens alarmistas: citar o nome de uma substância usada pela indústria não demonstra, sozinho, que o alimento final descumpre regras sanitárias. Para sustentar essa conclusão, seria necessário mostrar evidências sobre o produto e sobre a condição de uso questionada.
Desmentir o boato não transforma o alimento em saudável
Segurança de fabricação e qualidade da alimentação são perguntas diferentes. O Instituto Nacional de Câncer (INCA) inclui biscoitos recheados entre os ultraprocessados e defende um padrão alimentar com predominância de alimentos in natura ou minimamente processados, especialmente os de origem vegetal, e menor presença de ultraprocessados.
A orientação considera o conjunto da alimentação, não uma promessa de proteção garantida por um produto isolado. O instituto também rejeita a ideia de alimentos milagrosos capazes de curar câncer. Assim, nem o medo criado por um vídeo nem um desmentido oficial devem ser convertidos em prescrição alimentar individual.
O que o rótulo pode esclarecer
Para avaliar o perfil nutricional, a orientação da Anvisa sobre rotulagem descreve a lupa frontal que sinaliza alto conteúdo de açúcares adicionados, gorduras saturadas ou sódio, conforme os critérios aplicáveis. O símbolo trata desses nutrientes; não é um alerta de presença de petróleo ou uma análise de solventes.
A tabela também informa valores por porção e por 100 gramas ou 100 mililitros, o que ajuda a comparar produtos em uma mesma base. Vale distinguir o tamanho da porção da quantidade efetivamente consumida e observar quantas porções existem na embalagem. Olhar apenas um número destacado pode levar a uma comparação inadequada.
Na leitura do Saúde News, a resposta ao boato exige separar três temas: como o alimento é fabricado, quais regras sanitárias se aplicam e qual é seu perfil nutricional. Uma informação correta sobre um deles não responde automaticamente aos outros.
Capa ilustrativa gerada por IA; os biscoitos não representam uma marca nem uma amostra analisada em laboratório.
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